Waack: Trump recua de ataque ao Irã, mas dano moral permanece
Trump recuou, mas o estrago ficou. A ameaça de acabar com o Irã como civilização foi pior do que um crime, foi um erro.
Mas essa seria uma abordagem cínica da questão, cuja principal dimensão é moral, disse, nesta terça-feira (7), o papa Leão XIV. Fora a violação do direito internacional e dos princípios de geopolítica.
É imoral ameaçar destruir a base da existência de milhões de civis inocentes.
Essa ameaça de Trump viola 250 anos de revolução americana, feita em nome de valores morais. Hipócrita ou não, a superpotência Estados Unidos foi até aqui considerada uma defensora desses valores morais: os de justiça, liberdade e Estado de Direito. Não é mais.
Como fica para o profissionalismo dos militares americanos cumprir ordens para cometer crimes de guerra?
E como fica para as elites empresariais – não só as americanas – que puxam o saco de quem, como Trump, usa a mesma linguagem dos genocidas do século XX?
Como fica para um bom pedaço de grupos políticos que dizem ser “a” direita aqui no Brasil, que endeusam, idolatram e se comportam como vassalos de um narcisista desleal até mesmo com quem dizia querer defender.
O estado mental do presidente americano virou hoje um fator geopolítico, o que nem chega a ser o mais preocupante.
O que realmente prende a respiração é constatar como um país como os Estados Unidos e suas instituições, consideradas sólidas e funcionando com pesos e contrapesos, afunda nesse populismo voraz e irresponsável.
Se o que os Estados Unidos representaram poderia ser chamado de um tipo de conquista civilizatória… isto, sim, está morrendo.
É nesse sentido que Trump está ajudando a acabar com uma civilização.




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