Genética bovina ganha força e exportações de sêmen crescem quase 30%
As exportações brasileiras de sêmen bovino cresceram 29%, com 598,72 mil doses exportadas, segundo dados do relatório trimestral de 2025 da ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), refletindo a recuperação do setor e o aumento da demanda por genética tanto na pecuária de corte quanto na de leite.
O desempenho foi impulsionado pela comercialização de doses no mercado internacional e pela adoção de tecnologias mais avançadas dentro das propriedades.
A entrada de doses de sêmen bovino no mercado, que reúne a produção nacional e o volume importado, registrou crescimento de dois dígitos em relação a 2024.
No total, foram produzidas 23 milhões de doses, com alta de 12,46%, e importadas 7,3 milhões, aumento de 26,71%, evidenciando a expansão da oferta e o fortalecimento do setor.
Já a saída de sêmen bovino, que engloba as vendas ao produtor final, as exportações e os contratos de inseminação como prestação de serviço, avançou 8,87%, alcançando 28 milhões de doses comercializadas.
“As vendas diretas ao produtor cresceram ano passado, impulsionadas principalmente pela demanda por genética de corte, que teve aumento de 8% e somou 19 milhões de doses”, destacou a ASBIA.
Para o presidente da ASBIA, Luis Adriano Teixeira, 2025 foi um ano bastante positivo para o setor de genética bovina no Brasil, marcado por um crescimento expressivo tanto na entrada de doses de sêmen no mercado quanto no volume de comercialização.
Segundo ele, o desempenho reflete o avanço tecnológico, a maior adesão dos produtores às biotecnologias reprodutivas e a busca contínua por ganho de produtividade e qualidade do rebanho nacional.
Mudança de foco
Para a associação a expansão do uso de biotecnologia reprodutiva indica uma mudança estrutural na pecuária, com foco crescente em eficiência, produtividade e previsibilidade dos resultados.
A associação ainda destaca que genética deixou de ser um diferencial e passou a ocupar papel central no sistema produtivo. “A genética tem o menor impacto no custo de produção dentro da fazenda, frequentemente representando menos de 2% do custo total, mas com o maior potencial de retorno”, afirmou.
No Brasil, a inseminação está presente em 81% dos municípios brasileiros e já atinge mais de 21% das matrizes, evidenciando a crescente adoção da tecnologia no campo.
No cenário internacional, o mercado de sêmen bovino, especialmente o segmento de sêmen sexado
(que escolhe o sexo do animal), apresenta crescimento consistente, impulsionado pela busca por maior eficiência reprovativa e ganho genético. As projeções indicam uma taxa média de crescimento anual de 11,1% até 2033.
Em março deste ano, o governo brasileiro concluiu negociações que autorizam a exportação de sêmen bovino para Ruanda, na África Central. A medida, oficializada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), amplia o acesso da genética bovina brasileira a novos mercados.
“Esse cenário tende a impulsionar a demanda por proteína animal e, consequentemente, por soluções como o sêmen bovino, que contribuem diretamente para o melhoramento genético e o aumento da produtividade dos rebanhos”, informou a pasta em nota.




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