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Cuiabá,09/04/2026

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Reforma do Código Civil levanta alertas sobre direito de família e sucessões

24horasmt.com.br
Reforma do Código Civil levanta alertas sobre direito de família e sucessões




Comissão Temporária do Código Civil (CTCivil) discutiu propostas de atualização da legislação, com impacto direto sobre regras de família e sucessão. Participantes da audiência realizada nesta quinta-feira (9) apontaram riscos de insegurança jurídica e defenderam ajustes pontuais para evitar aumento de conflitos e garantir maior proteção nas relações familiares. 


— O direito civil não serve apenas para regular afetos, ele organiza expectativas e sustenta relações econômicas. Quando multiplicamos categorias abertas, transferimos ao Judiciário decisões que deveriam estar na lei — afirmou Leonardo Albuquerque Marques, advogado da União. 


Autonomia nas relações familiares 


A professora do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e advogada Renata Vilela Multedo criticou pontos do Projeto de Lei (PL) 4/2025 — de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), presidente da CTCivil — que, segundo ela, podem restringir a autonomia nas relações familiares. Um dos exemplos é a exigência de escritura pública para pactos convivenciais.  


— A gente corre o risco de desvirtuar a natureza da união estável e prejudicar a autonomia da maioria, além de comprometer a própria razão de coexistência entre casamento e união estável — disse. 


Judicialização e funcionamento do sistema 


A presidente da Comissão de Direito de Família da secional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Sílvia Marzagão, alertou para o risco de aumento da judicialização com as mudanças propostas. 


— Não podemos correr o risco de um aumento dessa judicialização, sob pena de colapso do sistema — afirmou. 


Na mesma linha, a defensora pública-geral de São Paulo em exercício, Bruna Simões, destacou a necessidade de que a legislação reflita a realidade da população, especialmente a mais vulnerável. 


— A legislação precisa dialogar com a experiência concreta da população, sobretudo de quem mais depende dela — alertou. 


Pontos técnicos: coerência, proteção e sucessão 


A advogada e professora da Universidade de Fortaleza e da Universidade Federal do Ceará Joyceane Bezerra avaliou que o projeto apresenta excesso de mudanças em curto prazo, sem o necessário amadurecimento, o que pode comprometer a coerência do Código Civil e gerar retrocessos, inclusive na proteção de pessoas com deficiência. 


Também advogada e professora, a presidente da Comissão Nacional de Direito de Família da OAB, Ana Vládia Feitosa, defendeu que a atualização consolide entendimentos já firmados pela jurisprudência, com regras claras em temas como habitação, divórcio e proteção de pessoas vulneráveis. 


Renata Rivitti, promotora do Ministério Público do Estado de São Paulo com atuação na área da infância e juventude, apontou risco de incoerências que podem fragilizar a proteção de crianças e adolescentes, ao admitir exceções ou conceitos abertos na legislação. 


Papel do Legislativo e revisão do texto 


A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) ressaltou a necessidade de o Congresso consolidar regras claras para reduzir a insegurança jurídica. 


— Quem está devendo para a população é o Poder Legislativo, que tem a obrigação de produzir leis. O Judiciário, acusado de legislar, decide porque não pode deixar de julgar — ponderou. 


Relator-geral do anteprojeto de atualização do Código Civil, Flávio Tartuce destacou que a revisão envolve escolhas relevantes também no direito sucessório, como a posição de cônjuges e conviventes na herança. 


— Não há sentido, na separação convencional, ter concorrência sucessória. Esse é um momento histórico, temos que ouvir a todos para construir um Código Civil do nosso tempo — enfatizou. 


Também participaram dos debates Rosa Nery, relatora-geral do anteprojeto de lei de atualização do Código Civil; Mário Luiz Delgado, relator parcial do livro de direito das sucessões do anteprojeto de lei; Pablo Stolze Gagliano, juiz de direito do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia e relator parcial do livro de direito de família do anteprojeto; e a advogada Isabella Paranaguá. 


A comissão ainda fará novas reuniões para continuar a análise das contribuições antes da consolidação do texto final do novo Código Civil. 


Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)


Fonte: Agência Senado








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