Last Flag: game com DNA de banda pop e influência brasileira chega ao PC
Quando Dan Reynolds não está no palco como vocalista do Imagine Dragons, ele está construindo um estúdio de games com o irmão. Fundada pelos irmãos Mac Reynolds — empresário e CEO — e Dan, a Night Street Games lançou oficialmente nesta terça-feira, 14, seu primeiro título: Last Flag, disponível para PC via Steam e Epic Games Store.
O jogo se apresenta como um hero shooter 5 contra 5 em terceira pessoa, mas a referência mais precisa talvez seja outra: uma partida de caça-bandeira jogada na floresta durante a noite, como as que os dois irmãos disputavam quando eram crianças. Essa memória afetiva é a semente de tudo.
A conexão com o Imagine Dragons vai além do sobrenome na ficha técnica. Dan Reynolds não apenas assina como cofundador e idealizador do conceito original, mas também esteve ativamente presente no desenvolvimento — participando de transmissões ao vivo jogando o título — e assinou pessoalmente a direção musical do projeto.
Junto ao produtor JT Daly, indicado ao Grammy, e a Dave Lowmiller, Dan optou por gravar a trilha sonora com instrumentos reais e técnicas de estúdio dos anos 1970. O resultado são composições originais que chegam a ter vocais dos próprios dubladores do jogo. Longe de transformar Last Flag em “um jogo musical”, a intenção foi usar a música como ferramenta de imersão — algo que, na visão da dupla, a indústria ainda subestima.
A ambientação sonora é precisa: uma batida tensa no estilo “Chicago” acompanha a fase de busca pela bandeira rival, enquanto uma trilha policial setentista marca os sessenta segundos finais de defesa do objetivo — o momento mais dramático de cada rodada.

Continua após a publicidade
Diversão antes de tudo
Em um mercado dominado por títulos competitivos que exigem horas de treino e dedicação quase profissional, Last Flag aposta na direção oposta. Mac Reynolds é direto ao definir a filosofia de design: a experiência deve ser “sempre diversão em primeiro lugar, e competitivo em segundo”.
Para chegar lá, a Night Street Games adotou um processo de desenvolvimento aberto e iterativo, com feedback constante da comunidade desde as fases iniciais. “A nossa filosofia foi trazer as pessoas cedo, trazê-las com frequência e aprender tudo o que puder”, explica Mac. Para ele, essa troca com o público revelou algo que a equipe não poderia descobrir sozinha: “A parte mais linda desse processo criativo […] é que eventualmente os jogadores te dizem o que o jogo é. Eles sabem melhor do que você. Eles entendem melhor”.
A mecânica que reinventa
Last Flag não apenas usa o caça-bandeira como tema — ele o subverte. Antes de qualquer confronto, cada equipe precisa esconder sua própria bandeira na arena. Só então começa a caçada: encontrar onde os adversários ocultaram o objetivo deles.
Quando a bandeira rival é encontrada e roubada, o time que a carrega precisa defendê-la por um minuto inteiro para vencer a rodada — criando um clímax tenso que concentra toda a dinâmica da partida nesse intervalo final. Espalhadas pelos mapas, torres de radar podem ser capturadas para triangular a posição da bandeira inimiga e servir como pontos de renascimento.
Continua após a publicidade
Não há “morte” no sentido tradicional: jogadores eliminados são sugados por um tubo para uma green room — a sala de espera de um programa de TV fictício dos anos 1970, que serve como moldura estética do jogo — e retornam rapidamente à ação. As partidas duram menos de 20 minutos.

A influência brasileira
O Brasil não entrou em Last Flag por estratégia de mercado. Entrou por história de vida.
Mac Reynolds cresceu ouvindo música brasileira em casa: o pai viveu no Brasil por alguns anos e trouxe consigo essa herança cultural. Essa proximidade se materializou na nona personagem do elenco do jogo: Camila, competidora brasileira dublada por uma integrante da própria equipe de desenvolvimento — também brasileira — e que interage inteiramente em português.
Continua após a publicidade
O vínculo foi celebrado também fora das telas. A Night Street Games participou do evento presencial “Brazil Game Live”, experiência que Mac descreveu como “ótima para a nossa equipe”, destacando o entusiasmo único da comunidade local.
Sem microtransações
Last Flag chega ao mercado com preço único, sem microtransações pay-to-win nem passes de batalha. As versões para PlayStation 5 e Xbox Series X|S têm lançamento previsto para o inverno no hemisfério sul.
Ao refletir sobre o marco que representa o lançamento, Mac Reynolds resumiu o momento com a emoção de quem esperou muito por ele: “O que dizer quando você e sua equipe dedicam anos de paixão a algo e finalmente podem colocá-lo no mundo? […] Poder deixar nossa própria marca como estúdio é um sonho realizado, e sou grato por fazer isso ao lado da melhor equipe do mundo”.
Publicidade





COMENTÁRIOS