Falta de profissionais deixa 7 unidades do Samu paradas e agrava crise no atendimento
A demissão de 56 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Cuiabá e Várzea Grande tem acendido o alerta entre profissionais da saúde. De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde de Mato Grosso, Carlos Mesquita, mais da metade das unidades disponíveis está fora de operação, o que compromete diretamente o atendimento à população.
Segundo ele, das 12 ambulâncias existentes nas duas cidades, apenas cinco estão em funcionamento.
“De 12 unidades que o Samu tem hoje em Cuiabá e Várzea Grande, apenas 5 estão funcionando. Ou seja, nós temos 7 unidades que não estão funcionando”, afirmou.
Carlos falou que a redução da frota ativa impacta diretamente no tempo de resposta em situações de urgência, podendo agravar o estado de pacientes. Para ilustrar a gravidade da situação, ele citou um caso recente ocorrido no Parque das Águas.
“Um trabalhador estava preparado para o aniversário de Cuiabá, caiu de uma altura mais ou menos de 4 metros. Esse paciente levou mais de meia hora para ser atendido. Vocês têm noção do que é meia hora uma pessoa esperar um atendimento de ambulância?”, questionou.
O sindicalista relatou ainda que o paciente estaria em estado grave, possivelmente entubado, e cobrou responsabilização do poder público.
“Quem vai dar satisfação para a família desse paciente? Eu acredito que ele está entubado, está em estado grave, e a responsabilidade não é só do Executivo. A responsabilidade também é do Legislativo”, declarou.
Diante do cenário, o sindicalista afirmou que a categoria levou a situação ao conhecimento de autoridades, cobrando medidas urgentes.
“O que nós viemos hoje trazer para o presidente da casa [Max Russi] e para alguns deputados é que isso não pode acontecer. Nós não podemos esperar a audiência até o dia 22 sabendo que a população está sendo prejudicada”, disse.
Ele também criticou a falta de equipes para operar as ambulâncias, apontando que a ausência de profissionais tem sido determinante para a paralisação das unidades.
“As ambulâncias vocês podem ir nas bases, nós passamos as bases para vocês, vocês vão ver. Das 12 unidades, 7 estão paradas sem funcionar. Porque nós não temos pessoal”, explicou.
O presidente do sindicato rebateu ainda a declaração do secretário estadual de saúde, Juliano Melo, sobre a substituição de servidores desligados por equipes do Corpo de Bombeiros, afirmando que isso não ocorreu na prática. Além disso, criticou a condução da gestão.
“Infelizmente, o secretário nosso de saúde falta sensibilidade. Um secretário de saúde, quando fala que 50 ou 62 não faz falta, quando na época do Covid colocaram a vida em risco, inclusive de familiares deles, e hoje serem tratados dessa forma”, afirmou.
Por fim, Mesquita fez um apelo ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos), para que intervenha na situação e ouça os profissionais da linha de frente.
“Eu acredito que o governador, eu vou fazer um chamamento aqui ao governador Pivetta, eu tenho certeza, por ele ser um gestor eficiente, ele tem que ouvir os técnicos do SAMU, porque lá tem todos os dados. Nós não estamos querendo nenhum privilégio, nós estamos querendo trabalhar, fazer o nosso serviço. Infelizmente, o secretário nosso de saúde está sendo muito intransigível”, concluiu.





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