Na Espanha, Lula defende reforma da ONU e controle global das plataformas digitais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a reforçar a defesa do multilateralismo nesta sábado, 18, em um discurso feito a líderes mundiais reunidos na Espanha em que criticou o enfraquecimento da Organização das Nações Unidas frente à escalada de guerras, de interferências políticas em nível internacional e de novos problemas como o avanço sem controle das plataformas digitais.
Lula defendeu a importância de se reformar e expandir o Conselho de Segurança da ONU, um pleito antigo do presidente brasileiro, e reclamou a falta de um espaço de diálogo internacional que permita aos países lidar com os problemas que extrapolam suas fronteiras, além de fazer críticas indiretas ao presidente americano, Donald Trump, e outras lideranças globais.
“Nenhum presidente do mundo, por maior que seja o seu país, tem o direito de ficar impondo regra a outros países, e os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar o seu comportamento”, disse Lula, que está em viagem oficial à Espanha e, embora tenha deixado um discurso preparado por escrito, falou de improviso nesta manhã, em Barcelona, durante a quarta edição da Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia. “Não podemos levantar todo dia de manhã e ir dormir toda noite com o ‘tuíte’ de um presidente da república mandando no mundo e fazendo guerra.”

Fundado em 1945 junto com a própria ONU, o Conselho de Segurança da entidade é a sua cúpula responsável por prezar pela segurança e a paz mundial. É formado por 15 membros, sendo que dez têm mandatos rotativos, de dois anos, e cinco deles são permanentes e têm poder de veto sobre as decisões dos demais: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.
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Para Lula, essa cúpula perdeu seus poderes há muito tempo e deveria ser reformulada. “Para quem Bush pediu para invadir o Iraque? Ninguém. Para quem a Inglaterra e a França pediram para invadir a Líbia? Ninguém. Para quem a Rússia pediu para invadir a Ucrânia ou Trump para invadir o Irã? Ninguém. Ou seja, são decisões unilaterais que não respeitam o fórum em que essas pessoas participam”, disse ele.
“Essa falta de harmonia entre os países e as nações é muito perigosa no mundo em que estamos vivendo. Este é o momento da história de maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, e o Conselho de Segurança da ONU não se reúne, seus membros titulares não comparecem e, quando aprova qualquer coisa, qualquer um deles pode vetar. Cadê a representação africana, do México, do Brasil? De uma Argentina, Colômbia, da Índia, a Alemanha, Japão, Indonésia? Tantos países importantes que poderiam participar.”
Lula defendeu a soberania de cada país no que diz respeito à sua política e decisões internas, mas destacou que uma ONU refortalecida tem papel preponderante no diálogo entre os países. “A democracia de cada país depende de cada país, do seu presidente e do seu povo, mas a da ONU depende de nós”, disse. “O multilateralismo é um problema do mundo, não é um problema interno do Brasi, do México ou da Espanha. É um problema das Nações Unidas, de respeitar a carta da ONU e a decisão pela qual foi criada o Conselho de Segurança. E, se sentir que não está cumprindo seu dever, que renuncie, ou faça logo uma nova carta da ONU.”
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Controle das redes sociais
Lula também mencionou a recente entrada em vigor, no Brasil, do ECA Digital, lei aprovada no ano passado que regula o uso das mídias digitas por jovens e crianças, e defendeu a necessidade de uma coordenação em nível internacional, inclusive no âmbito da ONU, para controlar o domínio das grandes empresas que controlam as plataformas. “Isso sim é grave é deve ser decidido na ONU. Controlar as plataformas digitais e a sua importância para as regras democráticas é uma questão mundial, não de um país ou de outro”, disse Lula. “A ONU é um instrumento muito valioso se funcionar, e ela precisa funcionar para garantir que as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo o mundo.”
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