Emanuelle Araújo se equilibra entre o privilégio e a inquietação em novela: 'Mulher complexa'
Para Emanuelle Araújo, 49, Marta, sua personagem em "A Nobreza do Amor", vai além da aparência sofisticada e do lugar social privilegiado. "É uma mulher cheia de privilégios, rica, inserida em uma realidade elitista, mas que também tem um pé na cultura, que se interessa, que lê, que pensa", afirma.Vivendo nos anos 1920, ela carrega as contradições de um feminino ainda limitado, mas já em movimento. Por trás da imagem de elegância, do casamento sólido e das obrigações sociais, há inquietação. "A sensação que eu tenho é que ela está ali, mesmo calada, vendo tudo, entendendo quem são aquelas pessoas", conta a atriz. Esse olhar atento se reflete especialmente na relação com a filha, Virgínia (Theresa Fonseca). Marta percebe os excessos da jovem na busca por status, mas encontra limites na forma de agir. "Ela está, muitas vezes, cheia de raiva, com vontade de botar aquela menina no eixo, mas esbarra no que é possível para uma mulher naquela época", avalia.A personagem, diz Emanuelle, se constrói justamente nesse espaço de tensão. "A gente está falando de um feminino absolutamente oprimido nos anos 1920. Então, o pouco que ela consegue fazer já diz muito", comenta.Outro elemento central na composição é o figurino, que ajuda a traduzir essa dualidade entre contenção e desejo de expressão. "O figurino me ajudou muito a entender essa mulher tão complexa. Ela tem uma postura, uma elegância, mas também uma vontade de se impor."Com referências que vão de figuras modernistas a nomes como Coco Chanel, Marta carrega traços de uma mulher à frente de seu tempo, ainda que presa às convenções. "Ela é uma mulher que, de alguma forma, está tentando romper, mesmo que isso aconteça aos poucos."Ao longo da trama de Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Júnior, essa transformação se desenha de forma sutil. "Quem sabe esse limite não vai chegar? Acho que esse é o suspense: até onde ela vai conseguir ir." TELEVISÃO Emanue...





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