Crise no futebol italiano é “estrutural”, diz ex-presidente da federação
O ex-presidente da Federação Italiana de Futebol, Gabriele Gravina, divulgou nesta quarta-feira (8) um relatório em que analisa a crise estrutural do futebol italiano e propõe medidas para reverter o cenário.
Gravina renunciou ao cargo após a derrota da Itália para a Bósnia, que deixou a seleção fora da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva. Ele, no entanto, segue à frente da federação até a eleição de um sucessor, marcada para 22 de junho.
O documento seria apresentado em audiência no Parlamento Italiano, a pedido do próprio dirigente, mas o compromisso foi cancelado horas após sua renúncia.
“Os problemas críticos que o sistema do futebol italiano enfrenta são conhecidos há anos e foram destacados em inúmeros documentos oficiais. A única diferença reside nas estatísticas, que pioram cada vez mais, confirmando que essas deficiências são, em grande parte, estruturais”, afirmou.
Entre os principais pontos, Gravina destaca o envelhecimento dos jogadores e a escassez de talentos locais. Segundo dados do Observatório de Futebol CIES citados no relatório, a Série A tem média de 27 anos – uma das mais altas da Europa. Além disso, 67,9% dos minutos jogados na divisão são disputados por estrangeiros, ou seja, atletas não elegíveis para uma convocação.
O dirigente também aponta um empobrecimento técnico, com menor velocidade de jogo e número de dribles em comparação com a Champions League e outras grandes ligas europeias.
Outro problema é a dificuldade de transição de jovens das categorias de base para o profissional. Gravina compara o cenário italiano com o de outros países e afirma que atletas espanhóis, franceses e ingleses ganham mais espaço e minutos nas principais competições.
“Os jogadores italianos que terminaram em segundo lugar na Copa do Mundo Sub-20 de 2023 ainda jogavam em grande parte nas categorias de base, enquanto seus colegas franceses e ingleses não o fazem mais”, exemplificou.
A questão financeira também aparece como central. O sistema acumula prejuízo anual superior a 730 milhões de euros e dívida total de 5,5 bilhões de euros.
Ademais, o relatório aponta defasagem na infraestrutura, destacando que a Itália não está entre os dez países europeus que mais modernizaram ou construíram estádios recentemente. Para Gravina, um “sinal do declínio da competitividade do sistema.”
Entre as propostas para solucionar a crise estrutural, Gravina sugere redirecionar receitas de apostas para formação de atletas e infraestrutura, além de rever a proibição de publicidade de casas de apostas, prevista no Decreto da Dignidade, de 2018.
O ex-presidente também defende incentivos fiscais para investimento em jogadores da base e no futebol feminino, além da redução do número de clubes nas Séries A e B para 18 e a diminuição das ligas profissionais, com o objetivo de tornar o sistema mais “sustentável”.
Gravina conclui que a recuperação do futebol italiano depende de ação conjunta entre federação, ligas, governo e Parlamento.
“Para o bem do futebol italiano, a única forma de intervenção é radical, por meio de uma unidade de propósito que transcenda os limites da conveniência e da conveniência.Um passo adiante de todos os componentes federais seria crucial, com o apoio essencial do Governo e do Parlamento”, ressaltou.
“Porque sem essa vontade convicta e unânime de priorizar o bem comum em detrimento da defesa de posições individuais, com a política criando as condições e facilitando as ferramentas adequadas para a ação, nenhum indivíduo sozinho conseguirá promover o verdadeiro e completo renascimento do futebol italiano”, finalizou.




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