Entenda crise entre papa Leão XIV e Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma longa publicação nas redes sociais criticando diretamente o papa Leão XIV, citando falas do pontífice sobre operações militares dos EUA, por exemplo. O líder da Igreja Católica, por sua vez, não recuou e disse que vai continuar os protestos contra os conflitos armados.
O atrito entre Leão e Trump não é novidade. Em 2025, o papa já havia criticado em mais de uma oportunidade a maneira como o governo americano trata os imigrantes, por exemplo.
Ele é o primeiro pontífice dos Estados Unidos e, desde o início, foi visto como alguém que poderia se opor a algumas políticas do governo Trump — em especial, a questão imigratória.
Entenda abaixo a crise entre o papa Leão XIV e o presidente dos Estados Unidos.
Trump critica o papa e não aceita críticas do pontífice
Na noite de domingo (12), Donald Trump fez uma longa publicação nas redes sociais criticando diretamente o papa Leão XIV.
O presidente começou o texto afirmando que o pontífice “é fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”.
Além disso, ele citou a pandemia de Covid-19, alegando que a Igreja Católica e outras organizações cristãs “prenderam” padres, pastores e outros indivíduos por realizarem cultos “mesmo ao ar livre, mantendo distanciamento social” — sem apresentar provas ou dar detalhes.
Trump ainda citou Louis, irmão de Leão XIV, comentando que ele seria apoiador de seu governo e que entenderia as políticas adotadas por sua administração.
Em outro trecho da publicação, Trump diz que “não quer” um papa que “ache normal o Irã ter armas nucleares”. O líder da Igreja Católica já falou contra a guerra no Irã anteriormente, pedindo pela paz e fim da violência.
A principal justificativa do governo americano para o início da guerra é a alegação de que o Irã estaria buscando construir armas nucleares, algo que as autoridades iranianas negam.
Além disso, o presidente afirmou que não quer “um papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela”, renovando acusações de que o país latino-americano enviaria presidiários para os EUA.
Anteriormente, Leão XIV havia pedido que os Estados Unidos não usassem força militar contra Maduro. Após a operação que capturou o ditador, o pontífice pediu respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito “conforme consagrado” na Constituição da Venezuela.
“E eu não quero um papa que critique o presidente dos Estados Unidos, porque estou fazendo exatamente aquilo para o qual fui eleito”, adicionou Trump.
O presidente dos EUA ainda alegou que Leão XIV só foi eleito papa por ser americano e que, no entendimento dos líderes católicos, essa seria “a melhor maneira de lidar” com Trump.
“Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano”, disse.
Por fim, Donald Trump ainda acusou o pontífice de “ceder à esquerda radical”.
“Leão deveria se comportar como papa, usar o bom senso, parar de ceder à esquerda radical e se concentrar em ser um Grande Papa, não um político”, concluiu.
Papa Leão XIV rebate Trump
Após as críticas de Donald Trump, o papa afirmou à agência Reuters que vai continuar se manifestando contra a guerra e que não quer “entrar em debate” com o líder americano.
“Não acho que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada da maneira como algumas pessoas estão fazendo”, destacou o pontífice.
“Continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”, disse ele, falando em inglês.
Mais tarde, em um discurso na Argélia, ele pediu aos líderes do país que construam uma sociedade baseada nos princípios da justiça e da solidariedade.
“Hoje, isso é mais urgente do que nunca diante das contínuas violações do direito internacional e das tendências neocoloniais”.
Reação do Vaticano às críticas de Trump
As críticas de Trump também geraram reação do Vaticano. O subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano, Antonio Spadaro, fez uma publicação no X dizendo que o líder americano estava atacando “uma voz moral” porque “não consegue contê-la”.
“Trump não debate com Leão: ele implora que o papa se refugie em uma linguagem que ele possa dominar. Mas o papa fala outra língua, uma que se recusa a ser reduzida à gramática da força, da segurança, do interesse nacional”, comentou Spadaro.
Veja outros momentos de atrito entre o papa Leão e Donald Trump
Críticas do papa à política de imigração de Trump
Em 2025, o papa Leão XIV fez críticas à política de imigração do governo de Donald Trump — que é uma das principais agendas do republicano neste segundo mandato.
Já durante a campanha presidencial, Trump deixou claro que o combate à imigração irregular seria um dos focos de sua administração, prometendo uma deportação em massa.
Em setembro do ano passado, o pontífice questionou se as políticas linha-dura do presidente dos EUA sobre o assunto estão alinhadas com os ensinamentos pró-vida da Igreja Católica.
“Alguém que diz que é contra o aborto, mas concorda com o tratamento desumano de imigrantes nos EUA, não sei se isso é pró-vida”, disse o pontífice a jornalistas do lado de fora de sua residência em Castel Gandolfo nesta terça-feira (30).
Em novembro, ele pontuou que os estrangeiros que vivem nos Estados Unidos estão sendo tratados pelo governo de maneira “extremamente desrespeitosa”.
Papa pediu fim da violência após captura de Maduro
No final do ano passado, o papa havia pedido que os Estados Unidos não tentassem depor o então ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, através de força militar.
Na ocasião, o líder da Igreja Católica defendeu o diálogo e até a busca por outras formas de pressão, “inclusive econômica”.
Então, após a operação das Forças Armadas americanas que terminou na captura de Maduro, em janeiro deste ano, Leão destacou que acompanhava as atualizações do caso com “muita preocupação”.
Ele também pediu respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito “conforme consagrado” na Constituição da Venezuela.
“Não devemos demorar para superar a violência e a trilhar os caminhos da justiça e da paz, garantindo a soberania do país”, destacou o papa.
Críticas de Leão XIV às guerras
O papa Leão XIV pediu pela paz e o fim dos conflitos armados em diversas oportunidades. Ele criticou abertamente guerras pelo mundo, não ficando restrito às operações dos EUA, como, por exemplo, o conflito na Ucrânia e a crise humanitária no Sudão devido a uma guerra civil.
Assim, dias após o início da guerra no Irã, o pontífice expressou profunda preocupação e pediu o fim da “espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”.
Além disso, ele também fez um discurso em 29 de março no qual rejeitou tentativas de usar Deus como justificativa para a guerra. “Ele não escuta as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita”, disse Leão na ocasião, sem citar Donald Trump.
O líder da Igreja Católica também fez um apelo por cessar-fogo no Líbano no último domingo (12), em meio ao cessar-fogo entre EUA e Irã. Israel afirma que os combates no país vizinho não fazem parte da suspensão das hostilidades no Irã.





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