Papa Leão XIV critica violações do direito internacional por potências
O papa Leão XIV criticou duramente as violações do direito internacional por potências mundiais “neocoloniais” em um discurso nesta segunda-feira (13), durante uma viagem à África. A fala aconteceu horas depois do ataque do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao líder da Igreja, que conta com 1,4 bilhão de fiéis.
Leão disse a líderes políticos da Argélia que está viajando pela África “como testemunha da paz e da esperança que o mundo tanto deseja”.
“O futuro pertence àqueles que não se deixam cegar pelo poder ou pela riqueza”, disse o primeiro papa dos EUA. “A África sabe muito bem que pessoas e organizações que dominam outras destroem o mundo.”
O pontífice, originário de Chicago, não citou países específicos para suas críticas, mas emergiu como um crítico ferrenho da guerra com o Irã nas últimas semanas e denunciou a “loucura da guerra” em um apelo pela paz no sábado (11).
Trump, em aparente resposta às declarações do papa sobre o conflito e as políticas de imigração linha-dura da Casa Branca, disse no domingo (12) que Leão era “terrível”, em comentários que atraíram imediata repreensão dos fiéis americanos.
Leão disse à Reuters durante o voo papal de Roma para Argel na manhã de segunda-feira (13) que planejava continuar se manifestando contra a guerra, apesar dos comentários de Trump.
“Não quero entrar em debate com ele”, disse o papa. “Continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais”, afirmou.
Papa condena violações do direito internacional
Leão XIV está realizando uma das viagens papais mais complexas organizadas em décadas.
A viagem o levará a 11 cidades e vilas na Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, percorrendo quase 18.000 km em 18 voos.
Na segunda-feira (13), na Argélia, o papa exortou os líderes do país a construírem uma sociedade baseada nos princípios da justiça e da solidariedade.
“Hoje, isso é mais urgente do que nunca diante das contínuas violações do direito internacional e das tendências neocoloniais”, disse ele.
O pontífice está realizando a turnê por vários países “para ajudar a chamar a atenção do mundo para a África”, disse à Reuters o cardeal Michael Czerny, alto funcionário do Vaticano e conselheiro próximo de Leão.
Segundo estatísticas do Vaticano, mais de 20% dos católicos do mundo vivem na África. Os três países da África subsaariana que o Papa está visitando têm populações em que mais da metade se identifica como católica.
A Argélia, no entanto, é um país predominantemente muçulmano, com menos de 10 mil católicos em sua população de cerca de 48 milhões de pessoas. Esta é a primeira vez que o país receberá um papa católico .
Papa fará 25 discursos durante a viagem
A viagem de Leão é a 24ª de um papa à África desde o final da década de 1960.
Espera-se que ele aborde diversos temas em 25 discursos planejados ao longo de 10 dias, disse o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, a jornalistas na sexta-feira (10), visto que as quatro nações enfrentam questões diversas.
Entre os temas prováveis estão a exploração de recursos naturais, o diálogo católico-muçulmano e os perigos da corrupção política, disse Bruni.
Camarões e Guiné Equatorial têm presidentes que estão no poder há décadas e foram acusados de violações dos direitos humanos, as quais negam.
O evento mais importante do itinerário provavelmente acontecerá em Camarões na sexta-feira (17), quando o Vaticano informou que cerca de 600 mil pessoas são esperadas para uma missa na cidade costeira de Douala.
Fluente em vários idiomas, espera-se que Leão fale italiano, inglês, francês, português e espanhol durante a viagem.
Após conversar com os líderes políticos da Argélia na segunda-feira (13), o pontífice visitará a Grande Mesquita de Argel, em apenas sua segunda visita a uma mesquita como papa.
Ele viajará na terça-feira (14) para Annaba, na costa nordeste da Argélia, para visitar as ruínas da antiga cidade de Hipona.
O local tem um significado especial para Leão, que é membro da ordem religiosa agostiniana. A ordem é inspirada nos ensinamentos de Santo Agostinho de Hipona, do século IV, uma figura importante da Igreja primitiva.





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