A batalha entre direita e esquerda pela Avenida Paulista no 1º de Maio
A Polícia Militar de São Paulo rejeitou um pedido de centrais sindicais de esquerda para realizar uma manifestação na Avenida Paulista no Dia do Trabalhador, que ocorrerá na próxima sexta-feira, 1º de Maio. Ao invés disso, a via arterial localizada no coração da capital será palco de um ato da direita realizado por três grupos bolsonaristas, todos com pouca presença no debate público.
A decisão ocorreu após a PM se reunir, no último sábado, 25, com representantes de seis movimentos sociais de situação ou oposição ao governo Lula:
- CSP-Conlutas (situação)
- Central Intersindical (situação)
- Patriotas do QG (oposição)
- A Voz da Nação (oposição)
- Marcha da Liberdade (oposição)
- Ekballo (movimento cristão sem alinhamento político)
Durante a reunião, a PM afirmou que os Patriotas do QG foram o primeiro grupo a solicitar a autorização e que, por essa razão, seria o único pedido acatado. Os outros dois grupos conservadores concordaram em unificar os atos de direita, e os movimentos de esquerda e a agremiação religiosa foram proibidos de se manifestar na Paulista.
Na ata da reunião, a polícia cita “questões de segurança, tendo em vista ser ano eleitoral” e “a possibilidade de tensão entre os movimentos” para justificar a negativa. Caso os outros grupos violem a proibição e tentem se concentrar na avenida, a PM acionará o Batalhão de Choque para desobstruir as vias e abrirá um processo no Ministério Público, segundo a ata da reunião.
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Dos três movimentos bolsonaristas que realizarão atos, apenas os Patriotas do QG possuem um perfil oficial nas redes sociais, acumulando cerca de 4.000 seguidores no Instagram. Os outros dois grupos não têm contas identificadas como oficiais, e a reportagem de VEJA não conseguiu contato com representantes.
À Polícia Militar, os Patriotas do QG declararam que o ato contará com “senadores, deputados federais e deputados estaduais” e que espera um público de 35.000 manifestantes na próxima sexta-feira. O grupo deve posicionar dois carros de som na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP) e à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Após proibição, esquerda critica Tarcísio e remarca atos contra a escala 6×1
O veto da PM às manifestações de esquerda provocou reações das centrais sindicais e de lideranças políticas. Pelas redes sociais, a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) acusou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de reservar a Paulista a “lideranças bolsonaristas que nunca celebraram o 1° de Maio”.
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Segundo a parlamentar, o ato contra a escala de trabalho 6×1 — tema de um projeto de lei de sua autoria — inicialmente previsto para a Avenida Paulista foi transferido para a Praça Roosevelt, no centro da capital, com previsão de início às 9h de sexta-feira.
A CSP-Conlutas, por sua vez, classificou como “absurda” a proibição e disse que havia enviado o pedido de autorização com antecedência, em 23 de março. Diante da recusa, a central sindical avalia relocalizar o ato na Paulista para a Praça da República, também na região central.
Esta não é a primeira vez em que a Avenida Paulista, tradicional palanque de manifestações em São Paulo, vira alvo de disputa política em datas históricas. Em 2021, a batalha pela avenida nas celebrações de 7 de Setembro chegou a ser judicializada, após decisão do então governador João Doria (sem partido) que barrou os atos contra o então presidente Jair Bolsonaro — ao final do imbróglio, a Justiça reverteu a medida do estado e autorizou que grupos de esquerda se manifestassem no local.
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